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Oportunidade única para o Esporte Brasileiro

Cesar Maia fala sobre os Jogos Pan-Americanos

ACAD - Depois de tantos esforços para transformar o Rio de Janeiro em cenário de grandes eventos internacionais, qual a sensação de trazer para a cidade os Jogos Pan-Americanos de 2007?

CESAR MAIA - É muito bom saber que estamos cada vez mais capacitados na realização de eventos esportivos internacionais e que somos reconhecidos mundialmente. O Pan-Americano de 2007 será uma oportunidade única para o esporte brasileiro. Poderemos ser a segunda potência esportiva das Américas.
Além disso, um evento desse porte traz investimentos para a cidade, visibilidade internacional e um grande legado de obras, com a geração de empregos e o fortalecimento do turismo.

ACAD - Como foi desbancar a cidade favorita, San Antonio (EUA), na disputa para sediar os Jogos?

CM - Ao contrário de San Antonio, que enfocou sua campanha no esporte e na capacidade americana de sediar eventos, o Rio de Janeiro levou vantagem por apresentar um projeto voltado também para o desenvolvimento urbano, para a inclusão social e para o impacto que a competição vai ter sobre a visibilidade internacional do Rio. Vencer uma cidade norte-americana como San Antonio, praticamente pronta para os Jogos de 2007, era uma tarefa considerada inviável. Mas não impossível. Reunimos muito mais que projetos e valores fáceis de serem colocados no papel. Reunimos argumentos, garantindo também a certeza de ótimas instalações, segurança e conforto para todos os participantes.

ACAD - Desde sua efetiva participação na campanha empreendida em 1994 para a realização dos Jogos Olímpicos de 2004 no Rio de Janeiro, o senhor tem demonstrado grande motivação em trazer para a cidade eventos esportivos deste porte. Com a vinda do Pan, oficializada quase dez anos depois da campanha infrutífera pelas Olimpíadas, a que o senhor atribui a credibilidade alcançada pela cidade junto aos organismos internacionais responsáveis pela organização destas competições?

CM - O Rio foi cidade-candidata para as Olimpíadas de 2004. Aprendeu muito. Um erro cometido na época foi imaginar que uma equipe gerencial, uma consultoria contratada ou uma empresa criada poderiam se encarregar de realizar o evento, sua organização e infra-estrutura do qual o esporte seria um ilustre convidado. Na verdade, a dinâmica é exatamente o inverso. Outro erro foi imaginar que as Olimpíadas é que devem servir à cidade e não o contrário. Somado a tudo isso, a Ilha do Fundão, região escolhida na época, mostrou-se competitivamente inviável. Aprendemos que cabe ao Comitê Olímpico do país coordenar e gerir o evento. Nos capacitamos para tornar a candidatura do Rio competitiva em quaisquer tipos de eventos internacionais. O Comitê Olímpico Brasileiro acompanhou de perto este amadurecimento.
E, por isso mesmo, não teve dúvidas ao escolher o Rio para concorrer como sede do Pan-Americano de 2007. Esperamos que, em 2012, toda a nossa experiência culmine com as Olimpíadas.

ACAD - Por que a Barra da Tijuca foi o bairro escolhido para abrigar a maioria das competições do Pan?

CM - Alguns fatores nos permitem entender o porquê da escolha da Barra da Tijuca para a realização de 70% das competições e da vila que receberá os atletas do Pan-Americano. O bairro é plano e tem ensidade demográfica baixa, o que garante condições absolutamente favoráveis para a segurança do evento. Sua característica urbanística também facilita isso. A Barra da Tijuca é uma grande planície, com prédios espaçados, o que permite ampla visibilidade de toda a região. O Estádio Olímpico ficará na Zona Norte, no Engenho de Dentro, contribuindo na revitalização urbana daquela área.

ACAD - Quais os dados mais relevantes levantados pela pesquisa que resultou na escolha do Engenho de Dentro como bairro ideal para a construção de um estádio com capacidade para 45 mil pessoas?

CM - A construção do Estádio Olímpico Municipal é um dos principais empreendimentos para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Será erguido no terreno localizado no quadrilátero formado pelas ruas Arquias Cordeiro, Doutor Padilha, das Oficinas e José dos Reis, no bairro do Engenho de Dentro, Zona Norte da cidade, ocupando uma área de 200mil m². O estádio terá capacidade para 45 mil pessoas, podendo ser ampliado para 60 mil, caso a cidade seja escolhida para sediar as Olimpíadas de 2012. Ao lado dele, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) planeja construir o Centro Olímpico de Desenvolvimento de Talentos, um complexo esportivo que dará suporte técnico a jovens atletas. Este Centro terá parque aquático, ginásios poliesportivos, alojamentos, centro médico e auditório multimídia. Todo o entorno do estádio passará por atendida por diversos tipos de transportes urbanos, além de estar junto à Linha Amarela.

ACAD - Que outros bairros da cidade serão beneficiados com a construção de estádios e outros espaços para a realização de competições?

CM - Com a realização dos Jogos Pan-Americanos a cidade será beneficiada como um todo e não apenas esse ou aquele bairro. Além disso, ela torna-se ainda mais competitiva para concorrer às Olimpíadas de 2012. A cidade vai receber investimentos no meio ambiente, em transporte público, na reestruturação urbana, em educação, esportes e tecnologia, o que vai gerar um forte crescimento econômico e social.

ACAD - Em que etapa se encontram as obras para sua construção?

CM - Existe um cronograma detalhado e aprovado pela Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) que inclui os equipamentos a serem utilizados nas competições e a Vila Olímpica. Alguns já tiveram as obras iniciadas, como, por exemplo, a Vila Olímpica, cuja pedra fundamental foi lançada em outubro. As movimentações na área onde ficará o Estádio Olímpico também já começaram. Na realidade, a Prefeitura está atualmente com mais de mil frentes de obras em toda a cidade, algumas delas importantes para a realização do Pan, como a construção de uma rótula na Avenida Ayrton Senna, na altura da Avenida Embaixador Abelardo Bueno, que está sendo duplicada e já começa a ser conhecida como a Avenida do Pan.

ACAD - Além dos novos espaços destinados à prática de atividades físicas, que outras benfeitorias a cidade receberá em função dos Jogos?

CM - Preparamos uma ampla agenda de compromissos sociais a serem implementados, prioritariamente nas comunidades com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais baixo. Vamos ampliar o Programa Favela-Bairro, com investimentos de U$ 1 bilhão, o que vai melhorar a vida de um milhão de pessoas. A Agenda Social define outras metas de redução da pobreza e das desigualdades sociais, como a expansão do sistema de Saúde da Família, aumento de proporção de alunos que concluem a 8ª série, redução da mortalidade infantil, complementação de renda, integração social da população de rua e muito mais.

ACAD - Durante os Jogos, de que forma os sistemas de transporte e os mecanismos de segurança pública serão afetados?

CM - A cidade investirá nos transportes públicos para atender aos Jogos Pan-Americanos e aos Jogos Olímpicos. A Transpan vai ligar a Barra da Tijuca aos aeroportos Internacional e Santos Dumont. A iniciativa vai resolver diversos problemas de transporte na cidade, atendendo a uma demanda estimada em 300 mil passageiros por dia, com a conexão a grandes eixos ferroviários, rodoviários e metroviário. Quanto à segurança, provamos que a Barra da Tijuca é uma área facilmente controlável, com poucas vias de acesso e visibilidade que facilita seu monitoramento pelo alto, já que é uma área plana e de baixa densidade demográfica. A Vila Olímpica terá apenas duas vias de acesso controladas e monitoradas 24 horas por dia por sistemas aéreos de segurança.

ACAD - Quais as expectativas da Prefeitura no que concerne à geração de dividendos para o unicípio através do incremento do turismo, do comércio e de outros setores?

CM - As melhores possíveis. Além dos investimentos que estamos fazendo para o Pan- Americano, a Prefeitura está realizando a segunda fase da reforma urbana da cidade, com a implantação de grandes equipamentos. Já inauguramos o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas; a Cidade do Samba já está em construção; a Cidade da Música está com as obras em fase de licitação; a Cidade das Crianças, com obras a todo vapor na Zona Oeste. Estas novas opções vão aquecer ainda mais o turismo na cidade, bem como o comércio e demais setores da economia carioca.

ACAD - Os ganhos obtidos serão de alguma forma aplicados em ações que estimulem a população a praticar atividades físicas?

CM - Sim. É um dos legados dos Jogos. Hoje, a Prefeitura atende a mais de 100 mil pessoas nos seus projetos esportivos. Com os novos equipamentos, que serão construídos para o Pan, vamos poder atender praticamente toda rede pública municipal de ensino, ou seja, 750 mil crianças.

ACAD - Que papel caberá às academias de ginástica nesta grande festa do esporte?

CM - Os profissionais da área de Educação Física serão um dos maiores beneficiários do Pan. O mercado ficará totalmente aquecido.

ACAD - De que maneira a ACAD, associação sediada no Rio e que congrega as academias de ginástica em âmbito nacional, pode contribuir para o sucesso dos Jogos?

CM - Certamente a ACAD terá muito a contribuir. E o Comitê Olímpico Brasileiro saberá aproveitar o potencial que a ACAD tem para oferecer.

ACAD - Existem planos da Prefeitura para a realização de projetos tocados em parceria com entidades ligadas ao fitness, como as academias, em contrapartida por renúncia fiscal de ISS ou IPTU que possam beneficiar a realização dos Jogos ou dos atletas envolvidos?

CM - Este é um aspecto sobre o qual ainda não nos detivemos. E estamos prontos a receber sugestões.

ACAD - Qual foi o peso da realização do Pan-Americano no Rio em 2007 em sua decisão de se candidatar à reeleição em 2004?

CM - Quando fui prefeito a primeira vez, ainda não era permitida a reeleição. Agora que isso é possível, gostaria de continuar trabalhando com afinco para o sucesso do Pan.

ACAD - A lei do nosso Município de nº 3952, de autoria do então vereador e hoje deputado Otavio Leite, permite convênio com as academias para utilização do seu espaço ocioso para a prática de atividades físicas por alunos da rede pública. A sua secretária Patrícia Amorim estava tentando viabilizála, mas não conseguiu até agora. O senhor tem conhecimento deste projeto?

CM - Encontra-se em fase final de elaboração na Secretaria de Assuntos Estratégicos, projeto com o objetivo de proporcionar atividade física aos alunos da Rede Municipal de Ensino nas instalações das academias filiadas a esta entidade. As instalações destas academias também seriam utilizadas para treinamento de atletas visando o Pan-Americano de 2007.

ACAD - Com a recente criação da Frente Parlamentar em Defesa da Atividade Física - força-tarefa que reúne 140 parlamentares, entre Deputados Federais e Senadores, em torno do fomento ao esporte e ao fitness - as questões pertinentes a estes dois segmentos chegaram ao Congresso Nacional. Na Prefeitura do Rio em que nível está a discussão sobre o tema?

CM - Temos duas secretarias que tratam - e bem - do fomento ao esporte: Esportes e Lazer e Assuntos Estratégicos.

ACAD - O município empreende ou planeja ações que possam incrementar o setor de fitness, que, além de promover a saúde da população, representa, através das academias, R$ 350 milhões de reais anuais para a economia do Estado?

CM - O foco de maior responsabilidade da Prefeitura é o esporte para a comunidade de baixa renda, atendida através das nossas vilas olímpicas e projetos esportivos. São mais de 100 mil crianças, 1.300 pessoas da terceira idade e 6.000 portadores de deficiência. Mas estamos abertos a receber sugestões do setor.

ACAD - Pesquisas feitas pela ACAD revelam que hoje existem cerca de 1.485 academias no Rio de Janeiro, algumas delas ainda em situação irregular no que se refere ao recolhimento de impostos. Quais os planos da Prefeitura para regularizar as que se encontram nesta condição e incentivar aquelas que se mantêm em dia com suas obrigações tributárias?

CM - A Coordenadoria do ISS da Secretaria Municipal de Fazenda criou um programa especial de fiscalização voltado para a área de cuidados pessoais e condicionamento físico, justamente porque apurou a existência de um alto índice de evasão, ao qual a ACAD se refere. A fiscalização das academias em situação irregular é a melhor forma de proteger e incentivar os contribuintes que cumprem suas obrigações de cidadãos e pagam seus impostos como determina a legislação.

ACAD - O senhor está em uma cruzada contra a obesidade no seu município e a ACAD tem vários dados internacionais sobre a epidemia de obesidade que assola o mundo. De que maneira as academias poderiam unir esforços com a Prefeitura?

CM - Acredito que as academias têm um importante papel, devendo se preocupar em divulgar as medidas já tomadas para orientar os cariocas sobre os riscos da alimentação inadequada. Os consumidores têm o direito de conhecer o valor nutricional dos produtos servidos em lojas especializadas em refeições rápidas (fast food) e também a quantidade de gorduras hidrogenadas artificialmente dos alimentos produzidos e comercializados aqui no Rio. Em julho, assinamos um decreto obrigando lanchonetes e empresas produtoras de alimentos a prestar informações nutricionais sobre os produtos servidos ou fabricados no estabelecimento.

ACAD - O senhor pratica atividades físicas?

CM - Não tanto quanto deveria. Mas, sempre que possível, procuro fazer algum exercício físico.
A ACAD terá muito a contribuir. E o Comitê Olímpico Brasileiro saberá aproveitar potencial que a ACAD tem para oferecer.

 
   
 
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