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Vamos nadar para a vida

Este artigo não está calcado em bases científicas ou acadêmicas, mas sim na minha experiência e observação como professor há 25 anos e como proprietário de escola de natação há 18. Nele estão alguns questionamentos para reflexão, na certeza de que nós - professores, proprietários de escolas de natação, academias e congêneres - temos um papel de destaque para modificar o atual cenário da natação brasileira, que antigamente era de responsabilidade exclusiva dos clubes.

Para reflexão: por que não temos um número significativo de nadadores brasileiros com destaque no cenário mundial? Poucos praticantes? Não temos competência? Não há interesse dos jovens e adolescentes? Vários questionamentos podem ser feitos para tentarmos descobrir os motivos.

Como é possível três brasileiros conseguirem as três primeiras colocações na corrida de Indianápolis, sendo que esta é considerada umas das provas mais difíceis do automobilismo mundial ? Sabe-se que no Brasil temos tradição de grandes pilotos, mas o automobilismo não é um esporte de massa. E a ginástica Artística? E o tênis de mesa? E o taew kendô? E o vale tudo? São exemplos de esportes com menor número de praticantes e com resultados mais expressivos, proporcionalmente, que a natação. Será que não precisamos mudar esta estrutura adotada em vários clubes, escolas e academias para sermos referência mundial neste esporte?

A começar, não tenho dúvidas de que a natação é a atividade esportiva mais praticada de forma sistemática em nosso país. Em certa ocasião, tive a oportunidade de ser coordenador do Centro Esportivo Miécimo da Silva, no Rio de Janeiro, que então oferecia 32 modalidades esportivas para a população. Das 12 mil inscrições, 5 mil eram para a natação. São números que impressionam, principalmente por que este centro está localizado numa área de baixa renda. Sabe-se também que a natação é a única modalidade esportiva que atende a faixa etária de três meses a 103 anos (num dos últimos campeonatos de Máster teve um competidor com esta idade). Além disso, toda a sociedade destaca os valores e benefícios que esta atividade proporciona à saúde.

Sabemos que o brasileiro, devido a sua miscigenação, têm habilidades esportivas inigualáveis; que existe um grande número de praticantes independentemente do nível social; que há um reconhecimento da importância da natação por parte de toda a sociedade; que temos em nosso país um clima e uma costa imensa, que favorecem a prática das atividades aquáticas; e ainda que nossos profissionais são capacitados e nossos programas para as crianças menores são reconhecidos por todos os outros países. Por que então não conseguimos ter vários expoentes nesta atividade esportiva. Onde erramos? Por que não somos tão bons dos 7 aos 25 anos? A resposta talvez esteja bem diante de nossos olhos.

Muitas vezes, vemos alunos que nadam com bastante velocidade, mas não conseguem pegar um objeto no fundo ou sustentar-se na água sem deslocamento. Será que é importante o aluno com menos de 9 anos dominar três ou quatro nados de uma forma "robotizada"?

Sabemos que água por si só já é um fator determinante da motivação, então, por que não utilizarmos isto para variar ao máximo nossas aulas e não ficarmos queimando etapas para apenas buscar o aperfeiçoamento dos movimentos de cada nado.

Será que exercícios que desenvolvem o domínio total de situações na água não são de extrema importância para a vida de um futuro campeão? Claro que são. Será que obter resultados expressivos entre 7 e 14 anos é um fator determinante para ser um campeão? De acordo com a minha experiência, afirmo que não. Faça uma análise em sua escola, academia ou clube sobre aqueles alunos que se destacavam nesta idade. Quantos chegam a ser verdadeiramente "nadadores"?

Você perceberá que a grande maioria não quer mais saber de nadar. Muitos nesta faixa etária nadam ainda apenas por insistência dos pais.

Reconhecemos que, mesmo com aulas motivadas, nadar é monótono, solitário e introspectivo. Na verdade, é quase tudo que a maioria dos adolescentes não gostam.Vamos pregar o lema "NADAR PARA A VIDA", sem a preocupação com resultados precoces.

Vamos mudar o conceito da natação praticada atualmente na grande maioria das piscinas. Está na hora de mudarmos esta estrutura que afugenta os nossos alunos. Vamos nos preocupar em incentivar o domínio total da água. Não vamos valorizar e buscar, pura e simplesmente, a velocidade. Vamos procurar outras formas de competição.

Se tivermos a preocupação de utilizar o mundo aquático para fazer campeões da vida, provavelmente faremos campeões de natação de uma forma natural. Penso que este é o papel presente de todos que se dedicam à natação. O tema está aberto para discussões, críticas e sugestões.

 
   
 
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