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Uma breve panorâmica sobre a Indústria do Fitness

Integrante do segmento de serviços na economia, a Indústria do Fitness se conecta a três outros setores já bem estabelecidos: estética, entretenimento e saúde. Basicamente, são essas as três principais motivações que levam um cliente a procurar uma academia de ginástica: saúde, beleza e diversão. Não necessariamente nessa ordem.

Entre os atores dessa indústria, encontram-se os operadores de academias, os seus fornecedores de produtos (equipamentos, acessórios, informática, higiene e limpeza, materiais de escritório, entre outros) e de serviços (marketing, comunicação, arquitetura, obras, manutenção, finanças, contabilidade, jurídicos, etc).
Profissionais de educação física, nutricionistas, fisioterapeutas, médicos, administradores e pessoal de apoio, são os habituais integrantes do quadro de pessoal das academias.

Os Estados Unidos lideram esse segmento, onde existem 20.249 academias, freqüentadas por 39,4 milhões de americanos (14 % da população), que geraram um faturamento anual de 14,1 bilhões de dólares. A Inglaterra (UK) é o segundo mercado (4.050 academias, sendo 1.943 privadas, 1,6 bilhões de Libras de faturamento, 3,4 milhões de clientes e 5,7% de penetração), seguido por Alemanha (6.500 academias, US$ 2,8 bilhões de faturamento, 5,1 milhões de clientes e 5,6% de penetração), Japão (1872 academias, 2,99 milhões de clientes e U$ 2,5 bilhões de faturamento), França (2.000 academias, 1,5 milhões de clientes com 3% de penetração) e Espanha (1.500 academias, 2 milhões de clientes com 5% de penetração). (Dados da IHRSA - International Health Racquet & Sportsclub Association, a associação internacional da indústria, já com 20 anos de existência e 7.000 membros em 75 países).

Aqui no Brasil não dispomos, ainda, de dados estatísticos precisos. O mercado agora começa a se organizar e, há apenas quatro anos foi formada a ACAD - Associação Brasileira das Academias. Pelos levantamentos preliminares realizados com representantes em vários estados, estimamos existirem 7.000 academias em todo o país, empregando 120.000 pessoas (são atualmente 40.000 profissionais de educação física registrados nos recém-constituídos Conselhos Regionais de Educação Física). Admitindo-se uma média de 400 clientes por unidade, chegamos a um total de 2,8 milhões de pessoas freqüentando as academias (1,6 % da população) e gerando um faturamento anual de R$ 1,5 bilhões (estimando-se uma mensalidade média de R$ 45,00 – variando de R$30,00 a R$220,00).Trata-se de um mercado altamente pulverizado, constituído essencialmente por operadores individuais de micro e pequenas empresas, com mínima estrutura gerencial. Começam a despontar no mercado brasileiro as primeiras redes de academias, com gestão profissionalizada, mas que, por fatores estruturais e conjunturais de nossa economia, enfrentam importante dificuldade para financiar suas estratégias de crescimento.

Nos Estados Unidos, na Europa e mesmo na Ásia, o mercado observa a evolução de um firme processo de concentração, com a formação de várias redes que já atingiram dezenas, e mesmo centenas de unidades, expandindo-se, inclusive para outros países. Muitas delas apresentam faturamento anual superior a US$100 milhões (US: Bally, Lifetime, Sports Club Company, Town Sports Intl, Wellbridge - UK: David Lloyd, Fitness First, Esporta, Holmes Place, Virgin Active - Japão: Central Sports, DIC Renaissance, Konami, Tipness), tendo algumas ultrapassado um bilhão de dólares de faturamento (Fitness Holdings Worldwide e Clubcorp). Os investidores institucionais já estão compondo o "funding" para expansão dessas redes, com capital de risco e algumas delas já se tornaram públicas, abrindo seu capital nas bolsas de Nova York e Londres.

Um marco na história da Indústria do Fitness foi a publicação nos Estados Unidos, em 1996, do relatório do Surgeon General e do CDC - Center for Disease Control and Prevention, "Physical Activity and Health", que passou a considerar o sedentarismo, pelos danos que provoca no organismo, um problema de saúde pública, e o seu combate, uma política de governo. Em 1980, o custo com o sistema de saúde americano (Health Care) era da ordem de 240 bilhões de dólares. Em 2.000 esse valor ultrapassou um trilhão de dólares, chegando a consumir 14% do PIB daquele país para tratar doenças. França, Áustria e Suíça já estão chegando a 10% do PIB. Considerando que 50 % desses custos são conseqüentes a doenças crônicas (hipertensão, diabetes, obesidade, aterosclerose, artrite, osteoporose, entre inúmeras outras), relacionadas ao estilo de vida (sedentarismo, má nutrição, fumo, stress, etc), que podem, portanto, ser evitadas, nada mais sensato que investir em prevenção. Dessa forma, consolida-se o conceito de "Wellness" e a Indústria do Fitness passa a ser considerada como um importante instrumento para prevenção de doenças, gerando extraordinárias perspectivas para o seu crescimento.

O mercado americano cresceu 100 % na década de 90. A IHRSA e a SGMA-Sporting Goods Manufacturers Association, lançaram, recentemente, uma articulada campanha de marketing denominada "50 million 2010", visando levar, até o ano 2010, 50 milhões de clientes americanos às academias e 100 milhões em todo o planeta. Percebe-se um crescimento no Brasil superior ao do mercado americano. Aqui, o tema tem recebido uma significativa cobertura da mídia impressa e eletrônica, que expressa o interesse da sociedade pelo assunto e o processo cultural que impulsiona a indústria.

Os fabricantes de equipamentos de fitness nos Estados Unidos vendem 600 milhões de dólares anuais para o mercado profissional (academias, clubes, hotéis, resorts, instalações militares, etc) e 4,5 bilhões de dólares para o mercado de varejo (home fitness). Aqui no Brasil estima-se R$ 150 milhões para o mercado profissional e o triplo desse valor para o mercado de home fitness.

 

Autor: Carlos Heitor Bergallo*

Publicada em: 5/10/2004

*Carlos Heitor Bergallo é médico, consultor de saúde e fitness para empresas, diretor da rede de academias Fisilabor - RJ, representante internacional da ACAD – Associação Brasileira de Academias e Embaixador da IHRSA para a América Latina.
 
 
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