Nós, nutricionistas, não concordamos com esta máxima. Basta lembrar as palavras de Hipócrates, ditas há mais de 2400 anos: "se você cair doente, a alimentação certa fornecerá maior possibilidade de vida". Se há tanto tempo a função dos alimentos já era reconhecida, podemos dizer que a Nutrição é a Ciência do presente!
Para o emagrecimento, várias são as propostas milagrosas que surgem a toda hora, lançadas sem base científica alguma. E o mais intrigante: muitas vezes funcionam ou, em outras palavras, fazem as pessoas perderem peso. Mas emagrecer, numa leitura correta, é perder gordura corporal. Para otimizar as perdas de gordura corporal e preservar a massa corporal magra, a literatura é clara: a restrição energética acompanhada de atividade contra-resistência parece ser a melhor opção. Porém, dietas que se baseiam na exclusão de determinados componentes como os carboidratos na "dieta da proteína" (que é constituída não só de proteína, mas também de gordura),
são nada adequadas uma vez que os carboidratos são importantes para o metabolismo protéico e, conseqüentemente, para a manutenção da massa magra.
Desta forma, a tendência atualmente é limitar o consumo energético através de dietas que contenham carboidratos, proteínas e gorduras (principalmente aquelas mais saudáveis como azeite, avelãs, nozes, azeitonas) em proporções semelhantes às recomendadas para a população em geral; além, é claro, de teores adequados de vitaminas, minerais e fibras alimentares.
Já para o ganho de massa muscular, o que se nota é a supervalorização deste nutriente pelo senso comum, que parece vislumbrar uma relação direta entre o consumo protéico e o ganho de massa muscular. Isto não ocorre de forma alguma!
Nosso organismo não faz reserva protéica! Além do mais, para que se preocupar tanto em consumir excesso de proteínas se as necessidades protéicas são tão facilmente atingidas pela dieta habitual?
Entretanto, estudos recentemente publicados, utilizando métodos extremamente sofisticados, vêm reportando a importância do timing da dieta em relação à execução do exercício contra-resistência (ECR). Eles vêm demonstrando que a síntese protéica pode ser até triplicada em relação aos valores pré-ECR, quando ao final da atividade os indivíduos consomem proteínas e carboidratos.
Aparentemente, isto se deve à geração de ambiente hormonal mais favorável à redução da degradação e estímulo da ressíntese protéica muscular pós-ECR, devido, principalmente, ao estímulo da secreção de insulina.
Concluo afirmando que a pesquisa em Nutrição vem crescendo de tal forma que não há mais lugar para a atuação profissional baseada apenas no conhecimento empírico. O nutricionista agora pode e deve basear sua conduta profissional nas evidências científicas, seja para promoção da saúde ou otimização do rendimento físico.
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