Artigos > Nutrição > Recursos Ergogênicos Nutricionais
Recursos Ergogênicos Nutricionais

Embora atualmente algumas pessoas procurem as academias em busca de uma melhor qualidade de vida, o fator estético continua sendo o maior elemento motivacional. Entretanto, se a alimentação não for compatível com os objetivos (melhoria da performance, hipertrofia muscular, diminuição do percentual de gordura, etc.) e com o programa de exercícios, os resultados obtidos serão pouco expressivos. Portanto, ao matricular-se em uma academia, o primeiro passo a ser dado é procurar um nutricionista para uma avaliação nutricional.

O planejamento dietético é elaborado de forma individualizada e calculado levando-se em consideração algumas variáveis como hábitos alimentares; sexo; idade; composição corporal (estatura, peso, percentual de gordura, medidas de circunferência); horas de sono; presença de enfermidades; funcionamento  intestinal; horas, tipo, freqüência e duração da atividade física desenvolvida, entre outros fatores. Além disso, para elaboração de um programa ainda mais preciso, o mesmo deve ser calculado mediante o resultado de exames laboratoriais (sangue, urina e fezes). Porém, para a adequação das necessidades nutricionais, muitas vezes, precisamos de auxílios - os chamados Recursos Ergogênicos.

A literatura científica se refere aos ergogênicos como sendo substâncias ou artifícios utilizados visando à melhora da performance. O termo ergogênico é derivado de duas palavras gregas: ergon (trabalho) e gennan (produzir). Portanto, um ergogênico normalmente se refere a alguma coisa que produz ou intensifica o trabalho físico. Os ergogênicos podem ser classificados em 5 categorias de "ajuda": nutricional, farmacológica, fisiológica, psicológica, e mecânica.

Os Recursos Ergogênicos Nutricionais vêm sendo utilizados de forma indiscriminada e são popularmente conhecidos como "suplementos" nutricionais. De acordo com o Ministério da Saúde, "suplementos" são somente de vitaminas e/ou minerais isolados ou combinados entre si, desde que não ultrapassem 100% da ingestão diária recomendada. Acima destas dosagens são considerados como medicamentos. Portanto, percebemos que o termo "suplemento", muitas vezes, vem sendo utilizado de forma inadequada. Além disso, entendemos a suplementação como "algo a mais", porém, na maioria das vezes, os Recursos Ergogênicos Nutricionais são utilizados como "complementos" alimentares, ou seja, quando as necessidade nutricionais não estão sendo satisfatoriamente supridas pela alimentação convencional, em função, por exemplo, de um elevado gasto calórico gerado pela alta carga de treinamento aliada à falta de tempo disponível para alimentação, gerada por muitas horas dedicadas ao trabalho e/ou estudo.

Já produtos como Albumina, Hipercalóricos e Bebidas Isotônicas são classificados pelo Ministério da Saúde como Alimentos para Praticantes de Atividade Física. Pelas normas brasileiras, estes produtos são divididos somente em 5 categorias: Repositores Hidroeletrolíticos, Repositores Energéticos, Alimentos Protéicos, Alimentos Compensadores e Aminoácidos de Cadeia Ramificada.

Porém, além destes produtos existem outras substâncias, como Creatina, L-carnitina e HMB, que vêm sendo comercializadas e utilizadas indiscriminadamente com propósitos ergogênicos dos mais variados, sendo que, em alguns casos, faltam evidências científicas que apontem para a sua eficácia.

Conclusão: quem pratica atividade física e pode valer-se de uma dieta equilibrada e ajustada ao seu treinamento, podendo esta ser associada a produtos que possam vir a atender às suas necessidades complementares, terá maiores chances de alcançar seus objetivos.

Porém, não podemos deixar de observar se a dieta, somada à utilização de recursos ergogênicos, irá colocar a nossa saúde em risco. Além disso, na hora de fazer a aquisição e/ou prescrição de qualquer produto nunca devemos deixar de ler atentamente os rótulos, pois produtos comercializados para uma mesma finalidade podem apresentar formulações bem distintas, e de buscar atualizar constantemente nossos conhecimentos, uma vez que algumas pesquisas realizadas demonstraram resultados extremamente conflitantes e, com o passar nos anos, antigas teorias caem em descrédito e outras propostas ergogênicas podem surgir.

 

Autor: Letícia Azen Alves*

Publicada em: 5/10/2004

*Graduada em Nutrição (UERJ); Mestre em Ciência da Motricidade Humana (UCB); Especialista em Fisiologia do Exercício (FAMATh); Professora dos cursos de Educação Física e Nutrição (UNESA); Nutricionista do Studio R.

 

 
 
Copyright © 2004 ACAD Associação Brasileira de Academias. Todos os direitos reservados.