Há muitos anos e em vários países vêm sendo desenvolvidos estudos e pesquisas, visando estabelecer critérios que permitam identificar as pessoas que apresentem alguma condição física, que possa trazer prejuízos à sua saúde ao iniciar programas de esportes e exercícios, permitindo, assim, receberem os cuidados adequados. Existe, atualmente, metodologia validada no meio científico e adotada internacionalmente. É claro que esse assunto interessa a todas as academias, considerando a nossa preocupação em oferecer aos clientes serviços seguros e de qualidade.
Vejamos o que diz sobre isso a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME), em seu documento “Posição Oficial sobre Atividade Física e Saúde” elaborado por dez destacados especialistas, firmando as recomendações da sociedade sobre o tema: “AVALIAÇÃO PRÉ-PARTICIPAÇÃO – os riscos para a saúde, particularmente os de natureza cardiovascular, decorrentes do exercício físico moderado são extremamente baixos e podem tornar-se ainda mais reduzidos por avaliação pré-participação criteriosa, que permita prática orientada. Conforme as características da população a ser avaliada, os objetivos da atividade física e a disponibilidade de infra-estrutura e de pessoal qualificado, a complexidade da avaliação pode variar, desde a simples aplicação de questionários, até exames médicos e funcionais sofisticados. Indivíduos sintomáticos ou com importantes fatores de risco para doenças cardiovasculares, metabólicas, pulmonares e do sistema locomotor, que podem ser agravadas pela atividade física, exigem avaliação médica especializada, para definição objetiva de eventuais restrições e a prescrição correta de exercícios. O PAR-Q (sigla de Physical Activity Resdiness Questionaire, ou Questionário de Prontidão para Atividade Física) tem sido sugerido como padrão mínimo de avaliação pré-participação, pois pode identificar, por alguma resposta positiva, os que necessitam de avaliação médica prévia”.Observemos agora a recomendações do American College of Sports Medicine (Colégio Americano de Medicina Desportiva) sobre Triagem de saúde Pré-Participação, publicado no documento “Diretrizes do ACSM para os Testes de Esforço e Sua Prescrição”, na sexta edição, ano 2000: “É importante proporcionar uma triagem inicial dos participantes em relação aos fatores de risco e/ou aos sintomas das várias doenças crônicas cardiovasculares, pulmonares e metabólicas, a fim de aprimorar a segurança durante o teste de esforço, bem como elaborar uma prescrição do exercício que seja apropriada e efetiva. A triagem de saúde pré-participação tem as seguintes finalidades:
1) identificação e exclusão de indivíduos com contra-indicações médicas para o exercício.
2) identificação de indivíduos de maior risco em função da idade, sintomas e ou fatores de risco e que deveriam ser submetidos a uma avaliação médica e a um teste de esforço antes de iniciarem um programa de exercícios.
3) identificação de pessoas com doenças clinicamente significativas que deveriam participar de um programa de exercícios supervisionados por médicos.
4) Identificação dos indivíduos com outras necessidades especiais. Os procedimentos de triagem devem ser válidos, custo-efetivos e eficientes do ponto de vista temporal. Os procedimentos variam de questionários auto-administrados a testes diagnósticos sofisticados. Os profissionais responsáveis pelos programas de exercícios devem estabelecer procedimentos de triagem pré-participação que sejam apropriados para seus clientes ou para a população alvo da instituição. O PAR-Q tem sido recomendado como um padrão mínimo para a inclusão de um programa de exercícios de intensidade moderada. O PAR-Q foi elaborado para identificar o pequeno número de adultos para os quais a atividade física poderia ser inadequada ou para aqueles que deveriam receber aconselhamento médico acerca do tipo de atividade mais apropriado”.Agora vejamos, como é o PAR-Q, como foi desenvolvido, como foi testado e de que forma deve ser aplicado?
O PAR-Q foi desenvolvido no Canadá pelo British Columbia Ministry of Health (Ministério da Saúde da Província de British Columbia). Tornou-se disponível para uso em 1978 e tem sido, desde então, utilizado como instrumento de triagem pré-teste antes da administração do Canadian Aerobic Fitness Test. Foi aplicado em mais de um milhão de pessoas sem que nenhuma das quais tenha apresentado qualquer problema cardiovascular importante. Segundo o Colégio Americano de Medicina Esportiva possui uma sensibilidade de 100% para detecção de contra-indicações médicas ao exercício e uma especificidade de 80%. O PAR-Q foi validado cientificamente e, pela sua praticidade e eficiência, tornou-se amplamente utilizado nos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e em vários outros países, inclusive no Brasil, onde, conforme vimos acima, é recomendado pela SBME.
Deve ser aplicado a todos os clientes por profissionais de educação física, antes de submetê-los aos testes de avaliação física adotados, atualmente, na maioria das academias e deve permanecer arquivado juntamente com o resultado da avaliação.
Deverão ser encaminhados para avaliação médica todos os clientes que responderem afirmativamente a qualquer uma das perguntas formuladas no PAR-Q. Nesse caso, a critério do médico, poderão ser solicitados outros procedimentos diagnósticos, a fim de liberar o cliente para a prática de atividades físicas, orientar cuidados especiais, ou mesmo suspender a sua prática e prescrever os procedimentos terapêuticos indicados.
Abaixo o PAR-Q, conforme consta no documento “Posicionamento Oficial da SBME: atividade física e saúde”:PAR-Q
Questionário de Prontidão para Atividade Física
Algum médico já disse que você possui algum problema de coração e que só deveria realizar atividade física supervisionada por profissionais de saúde?
Você sente dores no peito quando pratica atividade física?
No último mês você sentiu dores no peito quando praticava atividade física?
Você apresenta desequilíbrio devido a tontura e/ou perda da consciência?
Você possui algum problema ósseo ou articular que poderia ser piorado pela atividade física?
Você toma atualmente algum medicamento para pressão arterial e/ou problema de coração?
Sabe de alguma outra razão pela qual você não deve realizar atividade física?
O ACSM também dá critérios para classificação dos riscos, com base na probabilidade de eventos adversos durante a atividade física ou mesmo na realização do teste de esforço.
Estratificação Inicial dos Riscos pelo ACSM
Baixo Risco
Indivíduos mais jovens (homens abaixo de 45 anos e mulheres abaixo de 55) que se apresentem assintomáticos e que se enquadram no limiar com no máximo um fator de risco.
Risco Moderado
Indivíduos mais velhos (homens acima de 44 anos e mulheres acima de 54) ou aqueles que se enquadram no limiar para dois ou mais fatores de risco.
Alto Risco
Indivíduos com um ou mais sintomas/sinais sugestivos de doença cardiovascular e pulmonar, ou com doença cardiovascular pulmonar ou metabólica conhecida.
Fatores de risco: História familiar de doença cardiovascular, fumo de cigarros, hipertensão arterial, colesterol elevado, glicose em jejum alterada, obesidade, sedentarismo.
Principais sinais ou sintomas sugestivos de doença cardiovascular e pulmonar:
Dor ou desconforto no tórax, pescoço, maxila, braços e outras áreas que possam ser devidos a uma isquemia.
Falta de ar em repouso ou com esforço ligeiro.
Vertigem ou síncope.
Ortopnéia ou dispnéia paroxística noturna.
Edema nos tornozelos.
Palpitações ou taquicardia.
Claudicação intermitente.
Sopro cardíaco conhecido.
Fadiga excessiva ou falta de ar com as atividades habituais
O ACSM também dá diretrizes para realização de (A) Exame Médico e Teste de Esforço antes da participação e (B) para a Supervisão Médica do Teste de Esforço.
(A)
Baixo Risco
Risco Moderado
Alto Risco
Exercício moderado
Desnecessário
Desnecessário
Recomendado
Exercío vigoroso
Desnecessário
Recomendado
Recomendado
(B)
Exercício moderado
Desnecessário
Desnecessário
Recomendado
Exercício vigoroso
Desnecessário
Recomendado
Recomendado
Exercício moderado: atividade que se enquadra bem dentro da capacidade do indivíduo e que pode ser mantida confortavelmente por um período prolongado (aprox. 45 min). Em geral de 3 a 6 METs
Exercício vigoroso: atividade suficientemente para representar um desafio cárdio respiratório substancial ou com intensidade acima de 60% da captação máxima de oxigênio. Em geral acima de 6 METs.
Deve-se considerar a idade e o nível de condicionamento.
Para maiores detalhes recomendamos consultar o capítulo dois “Triagem de Saúde e Estratificação de Riscos” da publicação “Diretrizes do ACSM para os teste de esforço” sexta edição ano 2.000 e o Posicionamento Oficial da SBME: atividade física e saúde.
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