O Mercado

Dados da ACAD apontam que existem 33.157 academias em todo o Brasil e quase 8 milhões de alunos, movimentando cerca de US$ 2,5 bilhões, de acordo com o levantamento realizado pela Associação em 2014.
O Brasil é o segundo em número de academias, perdendo apenas para os Estados Unidos, e o maior do setor na América Latina. O país está entre os 18 países com maior número de academias por habitante, segundo a pesquisa Global Report 2015, realizada pelo IHRSA (International Health, Racquet & Sportsclub Association).

Alta contínua
O segmento de Academias de Ginástica e Condicionamento Físico passa por um período de alta contínua há anos (de 15 mil academias em 2010 para mais de 30 mil em 2014). Isso acontece por vários motivos, mas principalmente devido a uma mudança de comportamento do brasileiro. Se antes a atividade física era quase que exclusividade de entusiastas da boa forma, hoje questões como qualidade de vida, saúde e bem-estar levam um público cada vez mais diversificado para as academias.
Além disso, aumenta também o interesse por parte de empresas que firmam convênios com as academias, seja para oferecer aos seus colaboradores planos com descontos (ou até mesmo arcar com 100% dos custos) ou implementar academias em suas próprias instalações, em parceria com marcas já estabelecidas no mercado e com know-how para o exercício da atividade. Segundo o instituto Great Place to Work, no levantamento das 100 melhores empresas para trabalhar no Brasil (2012), 31% possuíam academias em suas dependências; 37% ofereciam subsídios para atividades físicas e 92% tinham alguma ação relacionada à prática de atividades coletivas. Para o Journal of Occupacional & Enviroment Medicine (2008), entre os benefícios dos programas de atividade física nas empresas, estão: redução de estresse (40%), aumento de motivação (38%) e redução de faltas ao trabalho (22%).
Este é, portanto, um mercado com grande capacidade de gerar distribuição de renda, não apenas através do aumento de alunos nas academias, mas também do incremento de todo o ecossistema do qual faz parte, incluindo fornecedores de vários segmentos (arquitetura, engenharia, decoração, máquinas, mobiliário etc) e colaboradores de várias áreas, como professores de educação física, administradores, recepcionistas e muitos outros.

Obesidade: uma epidemia brasileira
Os números chamam a atenção: mais de 60% dos brasileiros estão acima do peso, segundo o IBGE (2015). Os dados mostraram ainda que a obesidade acomete um em cada cinco brasileiros de 18 anos ou mais em 2013 (20,8%), sendo que o percentual é mais alto entre as mulheres (24,4% contra 16,8% dos homens).
Entre os adolescentes, os números também são alarmantes. O Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes, conduzido entre 2013 e 2014 por várias universidades e financiado pelo Ministério da Saúde, revelou que 8,4% dos brasileiros entre 12 e 17 anos estão obesos. A pesquisa mostra, ainda, que 9,6% sofrem de hipertensão.
A obesidade infantil também é um desafio. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, do Ministério da Saúde (2013) mostraram que aproximadamente 8% de todas as crianças de 0 a 5 anos eram consideradas obesas no Brasil.
Em todas as idades, maus hábitos alimentares contribuem para este quadro, com excesso de carboidratos refinados (açúcar invertido, maltodrextina, frutose, açúcar branco, xarope de glicose), gordura trans, hidrogenada, saturada, corante, edulcorantes e outras substâncias artificiais. Além disso, o número de brasileiros que praticam atividades físicas está muito abaixo do ideal.
Com este quadro, não é surpresa verificar os impactos econômicos da obesidade no Brasil. Domicílios com obesos, por exemplo, gastam 16% mais com medicamentos por mês, segundo o artigo publicado em janeiro de 2016 no periódico BMC Public Health, por pesquisadoras do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Apesar da falta de dados, o impacto financeiro certamente é relevante também no SUS (Sistema Único de Saúde).

Quem pratica – ou não – atividade física no Brasil?
Em 2015, o Ministério do Esporte lançou o primeiro Diagnóstico Nacional do Esporte. A pesquisa teve como objetivo conhecer o perfil do praticante de atividade física e também quem está do lado oposto, o sedentário.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa é considerada ativa quando pratica alguma atividade física pelo menos três vezes por semana, em seu tempo livre, com duração mínima de 30 minutos. O sedentário é aquele que não faz nenhum tipo de atividade física ou esporte.
No Brasil, 45,9% da população é sedentária. Isto é, 67 milhões de pessoas não fazem atividade física. A maior parte são mulheres (50,4%). Além disso, quanto mais velha uma pessoa é, mais sedentária. O índice de sedentarismo brasileiro supera o de países como EUA (40,5%), Rússia (20,8%), China (31%) e Índia (15,6%), mas fica atrás do de países como Argentina (68,3%), África do Sul (52,4%) e Portugal (53%).
A pesquisa perguntou também se as pessoas tinham consciência dos riscos da vida sedentária. A maior parte disse que “sim, mas não me esforço para a prática” e “sim, mas não tenho tempo para a prática”. Apenas 12% disseram não gostar de praticar atividades físicas.
Foi constatado ainda que o abandono das atividades físicas acontece principalmente entre os 16 e 24 anos, que coincide com o período em que o indivíduo sai da escola para o mundo do trabalho.
No Brasil, 25,6% das pessoas são praticantes de esportes e outros 28,5% são praticantes de atividades físicas. Os homens (35,9%) declararam praticar mais esportes, enquanto as mulheres (34%) preferem as atividades físicas.
Entre as pessoas que declararam praticar atividades físicas, a caminhada foi a mais citada, com 45,7%. A prática aparece também entre os esportes mais praticados porque cabia ao entrevistado classificar sua prática como atividade física ou esporte.
Com o aumento da idade do praticante, as atividades “caminhada”, “andar de bicicleta” e “ginástica” ganham mais adeptos.
Quase um terço dos brasileiros que praticam esportes o fazem em instalações esportivas pagas, como clubes, ginásios e academias. Só 5,1% praticam na própria casa ou no condomínio.
A principal razão apontada pelos entrevistados para praticar esportes e atividades físicas foi a busca por melhorias na qualidade de vida.


Motivo Esporte Atividade física
Para minha qualidade de vida e bem-estar 41,4% 36,30%
Para melhoria no desempenho físico 37,8% 29,30%
Para relaxar no meu tempo livre 6,3% 11,90%
Para melhoria na harmonial corporal (corpo/mente) 3,4% 9,10%
Para me relacionar com os meus amigos e/ou fazer novas amizades 2,2% 5,30%
Para competir com outros e comigo mesmo 0,7% 3,60%
Outros (indicação médica, prêmios, bolsas) 8,2% 4,50%

A Associação Brasileira de Academias representa um espaço democrático para troca e desenvolvimento de conhecimento que congrega os seus membros, proporcionando apoio nos aspectos administrativos, técnicos e comerciais, promovendo intercâmbio com instituições de ensino, pesquisa e outras, além da realização de eventos técnicos, esportivos, sociais, e culturais, visando a melhoria da qualidade de seus serviços e da sua rentabilidade, para atuarem com sucesso no Mercado Fitness.

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